domingo, 31 de janeiro de 2010

Marisa Barros, o sonho de Portugal


Marisa Barros, atleta de Paços de Ferreira, que representa a SportZone, esteve este domingo em grande destaque, ao terminar em segundo lugar a Maratona de Osaka, no Japão, com o tempo de 2.25,44 horas, melhorando em 19 segundos o seu anterior recorde pessoal. Marisa, que fará 30 anos no próximo dia 25, com este tempo, continua a deter o terceiro melhor tempo nacional da maratona, apenas superado por Rosa Mota (2.23,29 horas na maratona de Chicago em 1985) e Manuela Machado (2.25,09 horas na maratona de Londres em 1999). O registo é mais impressionante, se considerarmos que é somente a sua quinta maratona.

A prova foi ganha pela etíope Amane Gobena com 2.25,14 (recorde pessoal) e Marisa Barros deixou atrás de si nomes famosos, tais como, Mari Ozaki, a campeã mundial, e a romena Lídia Simon, medalha de prata em Sydney e três vezes vencedora de Osaka.

Esperemos que o projecto olímpico de um determinado clube, não acabe com a grande esperança de Portugal voltar a ser grande na maratona e nas expectativas para os Jogos Olímpicos de 2012. Haja fé.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Valjean (at the piano)

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Com as mãos manchadas de sangue

A selecção do Togo está impedida de participar, nas duas próximas edições do Campeonato Africano das Nações (CAN), anunciou o folclórico e bestial Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol. A decisão de suspender o Togo, foi tomada devido ao facto daquele País respeitar os mortos e desejar tratar dos feridos, vítimas de um atentado que chocou o mundo.
Em 2002, este iluminado dos Camarões, professor de liceu de profissão, concorreu para presidente da FIFA, contra o actual Sepp Blatter. Emmanuel Sheyi Adebayor, já tinha afirmado que "em África a vida de um homem não vale nada."
Pensam neste momento, o mesmo do que eu? E porquê, o medo e o silêncio da Comunicação Social?
Nota : Posteriormente, saíram alguns artigos tímidos na imprensa, tipo uma no cravo e outra na ferradura. Menos mal.
Um cão não ladra por valentia, mas sim por medo. (provérbio chinês)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Michelle Larcher de Brito



Parabéns! Michelle Larcher de Brito faz hoje 17 anos. A Mi, como carinhosamente é tratada pelos amigos e pelos fans é uma excepcional tenista portuguesa, actualmente Nº 109 do ranking WTA e uma das maiores promessas do ténis mundial. Nasceu e cresceu em Portugal, mas aos 9 anos mudou-se com os pais para os Estados Unidos da América, onde foi cumprir o seu sonho.

Como os grandes portugueses dos séculos XIV e XV, descontentes com o rumo tomado por Portugal, emigraram tranquilamente e foram fazer, lá fora, aquele Portugal que não encontravam aqui dentro e que não existe aqui dentro mesmo hoje.

Camões dizia que se pode, ao mesmo tempo, estar-se preso no Espaço e no Tempo, mas pairar acima desses dois condicionalismos com uma noção de Eternidade e com uma noção de não-Espaço, de se poder dominar tudo quanto é o universo do Espaço. Estar lá e estar cá, deste lado, ao mesmo tempo, como só as pessoas muito grandes podem conseguir.

Os portugueses vão ter oportunidade de lhe agradecer, quando representar Portugal na Fed Cup que se disputa no Jamor, entre as selecções nacionais de 16 países diferentes de 3 a 6 de Fevereiro.
Michelle Larcher de Brito chega a Portugal no dia do seus anos.

Vitor Pereira, decisão insensata




O árbitro João Ferreira, da AF Setúbal, foi nomeado para dirigir o jogo da 17ª jornada da Liga entre o Sporting Clube de Braga e o Sporting Clube de Portugal, que se realiza amanhã. Muito oportuno. E conveniente.


Eu sou um homem honesto, só errei na profissão. ( canção dos Xutos )

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Luís Avelãs, de novo


A orquídea é uma planta monóica ( hermafrodita ), caracteriza-se pelo dimorfismo sexual e pela inflorescência.


Como se faz de uma besta um homem, e de um homem uma besta? ( Shakespeare )

Mimos do Record


As últimas quatro crónicas do record online são uma delícia. Quatro educadores do povo ao ataque, Luís Avelãs assina " Diz o roto ao nu... ", Luís Óscar assina " Sá Pinto em contradição ", Sandra Lucas Simões assina " Sá Pinto dá razão a Paulo Bento" e Nuno Martins assina " Reféns de Liedson ".

Sabemos do potencial nocivo das pessoas estúpidas. Mentem pessimamente.


Um mentiroso nunca diz a verdade, precisamente porque é mentiroso. ( Joaquim Aguiar)

Luís Avelãs


Tudo se faz pela necessidade ( Al-Kindi - sec. XIV)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sociedade das Nações

Quando era miúdo, lembro-me de ter dito ao meu pai, que era uma vergonha o nosso clube ter estrangeiros, enquanto que o Benfica e a Académica tinham somente jogadores portugueses. Era alvo da chacota dos miúdos da minha idade na escola, que proclamavam o seu portuguesismo. O meu pai disse-me, nunca esqueci " Vergonha é roubar. Deixa-os perder dois ou três campeonatos seguidos e vais ver." Os anos passaram e a profecia de meu pai cumpriu-se. Nas épocas de 77/78 e 78/79 ganhou o Porto e na época 79/80 ganhou o Sporting. Em 1979, o brasileiro Jorge Gomes, avançado poderoso do Sporting de Braga, ingressou no Benfica e foi o primeiro estrangeiro a fazê-lo depois de agitada e conturbada assembleia geral para discutir tão importante assunto.
Na actualidade, o plantel do Benfica é constituído por 12 brasileiros ( Júlio César, Weldon, Sidnei, Ramires, David Luís, Luisão, Keirisson, Kardec, Airton, Éder Luís, Patric e Felipe Meneses ), 4 argentinos ( Di Maria, Saviola, Shaffer e Aimar) , 2 uruguaios ( Maxi Pereira e Urreta), 1 espanhol ( Javi Garcia ), 1 angolano ( Mantorras ), 1 paraguaio ( Cardozo ), 1 argelino ( Yebda ) e alguns portugueses. Consta, segundo a SICN que há 65 jogadores inscritos na folha salarial do Clube, entre emprestados e efectivos.
Eu acho que não vale tudo para ganhar um campeonato.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ana Ivanovic

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Sem título

Como milhares fui ao youtube ouvir a sequência de gravações publicitadas, como sendo escutas a Pinto da Costa, Valentim Loureiro e outras. E claro, disse logo para mim mesmo, vou escrever no blogue um post sobre este assunto. Escolhi um título, seleccionei uma imagem e debitei a minha opinião sobre a forma escrita. Lindo. Mas, antes de editar o texto, resolvi dar um giro pela net. Estava a começar a estranhar não encontrar grande coisa, quando abri um link e encontrei algo que me interessava, um texto que passo a transcrever :
Também eu escutei. Enquanto cidadão, gostaria muito de escrever sobre o que escutei, sobre a publicitação do que o escutei, sobre o que escutei, sobre escutas, sobre o processo, sobre ética. Sobre justiça. Sou advogado, como tal não o vou fazer. Assim sendo, e porque não tenho nada que aqui possa escrever, opto por partilhar convosco um pensamento desgarrado, que de vez em quando arremete e me apanha de surpresa. Pior, não o consigo contextualizar. É só um pensamento cíclico : "Não sei se os conheci, porém, tenho saudades dos tempos em que em Portugal se tinha vergonha." Já consegui escrever cinco parágrafos. Não está mau. Contudo, sete ficam sempre melhor e a minha "obrigação" de escrever melhor cumprida.
LOL. Então o tipo é advogado e tem medo? E eu? Qual o meu papel? Papel de idiota.

domingo, 24 de janeiro de 2010

As asneiras de A Bola e do Record

Estava escrevendo um post com o título "A ala dos namorados" (com a minha opinião sobre as escutas), quando entrei no site de abola online, e claro, estava lá a asneira. Pensei, vou ao record on line, pode ser que tenha sorte e ache material para novo post. Fui. Encontrei logo. Cada tiro um melro. Impressionante. Passemos aos factos.
Inter estuda empréstimo de Quaresma, é o título de abola online. Lendo a enormidade constata-se que Por um lado, não se confirma, como foi noticiado em Itália, que o agente da FIFA Jorge Mendes esteja em Milão a negociar a cedência, nem que tenha oferecido, em nome do Sporting, Miguel Veloso, Pereirinha, Adrien e Daniel Carriço para trazer Quaresma de volta a Alvalade. Divertido? Muito.
Como vos referi, fui então ao inimigo, o record online. Como a audiência está abaixo de abola online talvez seja mais rápido encontrar uma, pensei. Em cheio. Nem foi preciso procurar. Safina abandona por lesão, é o título. Fui ver. A russa, cabeça-de-série Nº 2, já não se encontra em prova em Melbourne, após ter abandonado o jogo que a opunha à compatriota Maria Kirilenko devido a lesão (dores nas costas). LOL. Dores nas costas não é lesão. É sintoma, mas não uma lesão. Cada tiro, um melro.
Mas há uma diferença, desta vez. A notícia de abola online é intencional, elaborada e visa atingir um objectivo. A do record online, foi elaborada por uma pessoa que não viu o jogo, demonstra falta de rigor e conhecimento da escrita. Em comum, falta de qualidade das duas notícias.

sábado, 23 de janeiro de 2010

ABBA

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Um projecto olímpico


Se Fernando Pessoa tivesse sido rico, com amigos e com família, bem instalado numa casa, em lugar de andar errante e de comer pessimamente, será que teria produzido a poesia, os heterónimos, a prosa e o pensamento que produziu? Não sabemos. Nunca saberemos aquilo que teria acontecido. Em História apenas aquilo que acontece é passível de análise.
Camilo Castelo Branco teve, por exemplo, como destino o ser obrigado a escrever e ele cumpriu esse destino, o destino de ter fome, o de ter dificuldades sociais, mas ao mesmo tempo em cada livro que escrevia, ou em quase todos os livros que escreveu, ele pairou sempre acima do seu destino. O percurso de Camilo termina com o suicídio, provavelmente devido ao problema físico da cegueira. Não sabemos. Nunca saberemos.
O Benfica tem um projecto olímpico. Os outros clubes grandes e pequenos já o têm há muito tempo. Este projecto consiste em não fazer praticamente nada pelo desenvolvimento desportivo, mas apenas cativar os melhores atletas portugueses nas mais diversas modalidades, para com os seus resultados positivos conseguir medalhas. De ouro, de preferência.
O sagaz e inteligente presidente, LFV, anunciou este espantoso projecto olímpico aos milhões de adeptos todos iguais da coletividade. Adeptos todos iguais, porque mais de metade da população de Portugal, dizem, é benfiquista. Os restantes, nos quais me incluo, somos diferentes.
O Benfica que gasta mais de 70 milhões de euros anuais, dos quais 37,5 milhões com a aquisição de jogadores de futebol, possui perfeitamente um milhão para gastar na compra de atletas para um projecto olímpico. Assim, vieram para a coletividade, Telma Monteiro, a judoca que abandonou treinador, clube e patrocinador que a protegeu desde muito jovem, Vanessa Fernandes, a tri-atleta, que abandonou Perosinho e o treinador de sempre Sérgio Santos e a canoísta Joana Vasconcelos, de 18 anos que abandonou o Clube Náutico de Crestuma e todos os seus apoiantes.
Conseguirão conquistar para o Benfica ainda mais daquilo que conseguiriam se tivessem seguido o seu percurso natural?
Não sabemos, nunca saberemos.
Pensamento : Quem se ergue nas pontas dos pés, não ficará muito tempo de pé. (Lao Tse)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A minha opinião

Frederico Gil e a belga Kim Clijsters foram eliminados do primeiro Grand Slam da temporada, o Australia Open. Pode ter acontecido não só a Gil e Kim, mas a outros tenistas que disputam actualmente este torneio. Nunca saberemos. A eliminação de vários tenistas por números rotundos causou alguma apreensão e está a ser alvo de polémica.
O nosso organismo está programado para trabalhar 24 horas por dia. Existem áreas do nosso cérebro, que controlam os processos corporais e são influenciadas pelos efeitos dia e noite. A mudança de fuso horário confunde o ciclo natural, o que pode provocar muitos problemas físicos somados ao cansaço das viagens longas. Este ciclo natural fica mais confundido, quando se efectuam viagens para países com sentido oposto dos ponteiros do relógio. A síndrome da mudança de fusos horários pode também chamar-se Síndrome Jet Lag (SLJ), que afecta mais os atletas jovens de ambos os sexos.
Os sintomas do Jet Lag são :
. Fadiga, cansaço geral, apatia, indisposição para a prática desportiva.
. Problemas digestivos, náuseas, vómitos e diarreias.
. Desidratação e perda do apetite.
. Desorientação, confusão no momento de tomar decisões.
. Falta de memória, irritabilidade, dores de cabeça.
. Insónia e padrões de sono irregulares
Há anos, foram estudados 122 atletas olímpicos italianos de modalidades diversas e constatou-se que 86% dos atletas sentiram os efeitos do SJL. Contudo, quando questionados se esses efeitos tinham prejudicado a sua prestação em competição, 65% referiram que não, 31% colocaram essa possibilidade e 4% consideraram que sim. Verificou-se que 57,4% dos atletas afirmaram ter dificuldades em adormecer e manter o sono, e 59,8% sentiram sonolência durante o dia.
Segundo os estudiosos, há diferenças entre os géneros masculino e feminino, e os estudos indicam que podem existir maiores dificuldades, para as mulheres devido às irregularidades relacionadas com o ciclo menstrual.
Existe abundante documentação na internet, se deseja esclarecer-se. Quanto a mim, introduzi este tema no blogue, para ir em contra a certas afirmações de jovens, e também de alguns jornalistas que nem sequer assistiram ao jogo. Acredite, se quiser.
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No país da incredulidade


Miguel Torga escreveu há mais de 60 anos no seu Diário III, página 96, o seguinte: "Quando o futuro quiser saber o que se passou neste tempo, a História há-de dizer coisas de arrepiar os cabelos." As preocupações que o afligiam quando escreveu esta profética frase nada tinham a ver com o futebol, pois referia-se a males, que dramaticamente, como hoje, assolavam a sociedade de então.

A neutralidade não existe. Aceita-se. Também se aceita que algumas pessoas digam, - se não pensas como eu, então não pensas bem - ou mesmo, o fingimento da neutralidade corporizado por acções escritas ou corporais. Mas, uma coisa é por definição filosófica não se conseguir atingir o estado de neutralidade, por impossibilidade natural, e outra, é subverter e fazer batota.

Recentemente, num programa desportivo na TVI, o presidente (este país tem presidentes para tudo, filarmónicas, prisões, etc.) do conselho de arbitragem da Liga, Vitor Pereira, disse com aquele ar circunspeto que o caracteriza, que todos os árbitros eram sérios e honestos. Ao que saltando da cadeira, o Dr. Eduardo Barroso, reputado cirurgião cardio-vascular, e excepcional personalidade, respondeu que em todas as profissões, inclusivé nos cirurgiões, havia pessoas que não eram sérias e honestas, portanto que fosse contar essa história a outra freguesia. O Vítor Pereira manteve aquela postura de manequim da Rua dos Fanqueiros e continuou a representação, ou não fosse ele, antigo árbitro profissional.

De facto, só ao militar e ao sacerdote, não é permitido ter dúvidas, por razões óbvias que todos concordarão. Diferente foi o episódio caricato, entre vários, mas não podemos ir a todos, na passada terça-feira que se passou na RTPN, mais uma vez num programa desportivo. Uma única fotografia em papel formato A4 continha, presumo, o golo do jogador Falcão do Porto, supostamente marcado com a mão. O Moreira que guarda silêncio quando lhe convêm e barafusta quando se sente lesado, dizia que era um golo limpo. O Vasconcelos, que deveria ter mais olho, porque é cineasta, não muito produtivo é certo por falta de subsídios, também não se conhecem os filmes, rangia os dentes e dizia que tinha sido com a mão. Na realidade as duas coisas não podiam ter acontecido, nem numa situação de ser ou não ser, eis a questão. O Costa olhava por debaixo dos óculos, suspensos miraculosamente no nariz e pensava em estatísticas marteladas.

Os poucos leitores que me fazem o favor de ler, já devem ter percebido que não os considero muito, nem estimo este tipo de pessoas, que perde completamente a dignidade e compostura para defender as suas cores. Claro, que podíamos extrapolar estas atitudes e chegar aos jornalistas desportivos. Mas temos tempo. Não vou morrer já. Porque adoro zurzir em alguns deles.

Joaquim Meirim, foi um treinador português que para a época, implantou vários conceitos modernos e planos de treino nos vários clubes pequenos por onde passou, que causaram grande espanto e curiosidade naquele tempo. Não treinou, nenhum dos três grandes, o mais de perto foi o Belenenses, porque não era politicamente correcto, e estava vinculado a um partido que se encontrava na clandestinidade. Ele teve uma declaração simples, mas notável e corajosa, no programa Zip-Zip da RTP, que era o único canal de televisão, com Solnado, Cruz e Gouveia. Experimentem colocar na mesma bancada, todos juntos, dizia ele, um advogado, um médico, um padeiro, um trolha, um jornalista, um engenheiro, etc., todos muito aprumados antes do inicio do jogo. Uns de fato e gravata, e outros como podem. Verificaremos que passados dez minutos, após o jogo começar, não se distingue, o médico do trolha, o jornalista do advogado ou o padeiro do engenheiro. A maior das confusões reinará tanto em gritaria, como em insultos e atitudes. Essas discussões vão continuar durante as semanas seguintes com os jornalistas a incendiar, quando o fogo abranda. O carvão é adicionado para o fogo não esmorecer. Sujam as mãos mas não se importam. Mentem e fazem batota. Uma questão de dinheiro, inverterá o sentido da verdade se for necessário.

Imagino, aqueles que dão uma vista de olhos por estas palavras a perguntar para si próprios - mas este gajo de que clube será? Se me situar nos parâmetros que coincidem com o seu clube, sou o maior. Se não, o desprezo e o silêncio. Estou lixado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estoril Basket


Estoril Basket é um clube do concelho de Cascais, dedicado exclusivamente ao basquetebol, nasceu em Julho de 2007, resultante da amizade e esforço conjugado de vários homens, entre os quais Paiva Henriques, Vítor Nogueira e Francisco Chapelas. Com um pequeno número de atletas (entre os quais os filhos de quase todos), começou a competir, em todos os escalões de formação, masculinos e femininos, bem como nos seniores, e têm vindo a conquistar títulos, mas é sobretudo um inovador modo de encarar a vida desportiva juvenil.

No final, de cada jogo, competiu-se também por chocolate, uma fatia de bolo ou por gomas. O espírito de juventude do futuro, repete neste Clube, coisas boas do passado. Este post é a minha homenagem singela, a todos aqueles que contribuíram para esse facto, não esquecendo um Homem que já faleceu, que conheci muito tardiamente, mas que falava de frente, cara a cara, de nome Paiva Henriques.

A viagem de mil léguas, começa com um passo (Lao Tse).

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Marillion

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Frederico Gil


Frederico Gil, o maior tenista português de todos os tempos, perdeu hoje no Australia Open. Mas perdeu só um jogo. Não perdeu a cabeça. A notícia foi dada mais rapidamente, do que o costume, na Comunicação Social, e alguns adeptos aproveitaram logo para fazer profecias. É perigoso fazer profecias, principalmente quando se referem ao futuro. Numa pessoa, o presente já não tem futuro, quando se está amputada do passado.

Ora, Gil, tem um passado riquíssimo, melhor de qualquer outro tenista português. Foram os sucessos e as vitórias que o levaram a atingir o patamar do Nº 68 mundial. Além disso, Frederico Gil é português, o que segundo Fernando Pessoa, é ser um indivíduo imprevisível. Acrescento eu, porque é um indivíduo que procede e age segundo as suas convicções.

Conhecer o passado de Frederico como tenista, é ter lições sobre ténis e de vida. Toda ela, dedicada ao treino do ténis e aos jogos. Dormiu dentro de automóveis, ou sem conforto, para poder estar presente em torneios ITF, passou dificuldades e abdicou de alguns prazeres de adolescência em nome do objectivo traçado. A prática de todos os desportos dependem dos resultados,mas nos individuais, o fracasso recai sempre sobre uma única pessoa. No desporto colectivo, ele é repartido sobre todos os intervenientes.

Eu sou praticamente o único leitor deste blogue. A história demonstra que os povos que destruíram as suas elites, os seus desportistas, por diversos processos, destruíram-se a si próprios, pelo menos temporalmente. A história dos atletas de alta competição são fenómenos descontínuos, está acima de saltos qualitativos bruscos, e o desafio consiste em encontrar os meios para reconstituir os equilíbrios e reestabelecer a normalidade.

Gostava de escrever de modo eloquente, mas não sei. Mas, neste momento de grande desgosto, amargura e tristeza para ti, Frederico Gil, quero dizer-te que continues na tua estrada limitada pelas bermas do Tempo e do Espaço.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Bola e o Record


Os últimos números do ano de 2009 (Setembro a Dezembro), com origem na Marketest, colocaram no ranking absoluto, em primeiro lugar o Correio da Manhã (12,8), seguido do Jornal de Notícias (12,2), a Bola (10,4), o Record (10,3) e o Expresso em quinto lugar (7,5). Os números de Dezembro revelados pela Netscope, referentes aos jornais online, colocam a Bola em primeiro (15.801.831 visitas e 84.402.206 pageviews), o Record em segundo (13.253.313 visitas e 63.916.548 pageviews) e o Jogo em terceiro (5.756.790 visitas e 21.262.153 pageviews).
Os dois maiores jornais portugueses são inimigos há décadas. Ao longo dos anos, temos assistido aos mais variados estratagemas, truques e batota para captar a maior audiência possível. A manipulação, a mentira, a omissão, o boato são armas que se utilizam nesta batalha sem sentido. Contudo, existem imensos pontos em comum. Desde logo, a censura e a parcialidade. Os exemplos são diários, todos sabemos disso, não é necessário apontar e é fácil desmontar qualquer argumentação em contrário, mesmo quando vêm com a cantilena habitual de que seguem apenas a linha editorial.
A crise está aí, já existem despedimentos e ordenados em atraso, ou pagos aos poucos e quando se pode. Não tenho pena desta gente do jornalismo desportivo alinhado. Há na actualidade, um problema real que o jornalistas em geral atravessam. Licenciados de todas as áreas, modelos, actrizes, etc.,lentamente vêm ocupando os espaços, na televisão, na rádio e na imprensa. Blogues políticos e desportivos avançam todos os dias contra os media censurados e alinhados.. Numa fase em que nem a comunidade científica tem a certeza sobre coisa alguma, coloca-se a pergunta - os blogues fazem jornalismo?
A maioria dos profissionais de jornalismo responde não a esta pergunta, mas muitos jornalistas criaram blogues e muitos jornais incorporaram blogues às suas edições online. Este "ruído" dos blogues é cada vez mais alto e atrai mais leitores, insatisfeitos com a imprensa controlada. Jay Rosen, professor de crítica dos media na New York University, afirma : o jornalismo tradicional assume que a democracia é o que temos e a informação o que procuramos; os blogueiros assumem que a informação é o que temos - está tudo aí à nossa volta - e a democracia é o que procuramos.
" Os actuais problemas do Mundo são de tal ordem que excedem toda a capacidade humana de os pensar. Não sabemos, por exemplo, como iremos resolver o problema de manter vivos os desempregados, já que serão cada vez mais, por uma razão muito simples : eles não são desempregados, o que desapareceu no Mundo foi o emprego. Não poderei dizer não estar o meu casaco pendurado, se não houver cabides, sucedendo a mesma coisa com o desemprego, se não existe emprego como pode o desgraçado estar desempregado? A existência de desempregados irá obrigar o Mundo, a prover os indivíduos das artes e das ciências de forma a permitir-lhes serem livres e criadores no tempo livre, assumindo na vida uma atitude completamente diferente, seja qual for a especialidade escolhida. As coisas vão mudar nesse sentido."

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Patrocínios e apoios - Parte III


Como disse anteriormente, não há patrocínios em Portugal. Existem algumas ajudas, umas de maior dimensão que outras. Na actual situação social e económica do nosso país, nem as empresas fabricantes de artigos para o ténis arriscam alguma coisa. Pela verdade, deve-se dizer que a maior parte das vezes foram e são os tutores dos atletas os principais culpados. Cometeram erros graves e excessivos, não corresponderam às expectativas e à palavra dada, e estas falhas de alguns são pagas por todos.

Por outro lado, as potenciais empresas passíveis de conceder apoios ou patrocínios, não sendo da área desportiva, tem departamentos de marketing e publicidade muito desfalcados de pessoas conhecedoras da realidade específica de cada modalidade. Objectivamente, são curiosos e não profissionais, ou profissionais pouco curiosos que estão à frente destes departamentos. Em geral, quando a empresa necessita de ser publicitada recorre às agências de publicidade, núcleos de pessoal muito criativo que trabalha de noite e dorme de dia, mas sem qualquer noção de conduzir um cliente ao patrocínio de um atleta. É sempre melhor fazer filmes em cenários longínquos e paradisíacos, porque rende mais à agência. Enfim, não quero seguir por aqui.

Pessoalmente, sempre me impressionou, saber porque é que empresas com importância e estatuto, preferem gastar milhares de euros, em segundos na TV com anúncios de rebuçados, pastas dentífricas ou similares. Nestas empresas não existe fiscalização para determinar a hipotética rentabilidade de investimentos nulos? Não sei. Mas pode-se fazer alguma coisa? Pode-se.

Desde já, por parte dos atletas que devem cuidar da sua imagem, reunindo de forma organizada o currículo sempre actualizado, fotos, resultados, entrevistas concedidas, apontamentos sobre os treinos e outros elementos que possam contribuir para o atleta ter um "book". Exactamente como as modelos da moda ou os actores de cinema e teatro. Não é necessário entregar este aspecto a ninguém, é preciso gostar de si próprio. Este "book" é a nossa biografia como atleta e qualquer pessoa exterior pode estudar se há ainda um percurso a fazer, ou o atleta estacionou ou regrediu. Acontece que a maior parte dos jogadores, acha que é um talento enorme, que não precisa destas coisas e que os patrocinadores é que são uns ingratos.

Dos patrocinadores vindos das empresas, nem quero escrever. Daria para mais de mil crónicas e gastava o meu latim. Os grandes gurus da economia, jovens talentos que foram recrutados nas melhores e maiores universidades do planeta, puseram o mundo à beira da falência total e numa grave recessão mundial. Acautelaram o seu prestígio, comprando a imprensa e usando a publicidade em doses brutais, para repetirem muitas vezes, que a crise já passou. Mas, não passou. Não é derrotismo, é a verdade. Mas o que é a verdade?

Resta dizer que à falta de patrocínios, surgiu o "paitrocínio" e por aqui devemos ficar muitos anos. Este assunto é transversal às federações, aos clubes e aos atletas. Ninguém resolve. Todos esperam o euromilhões. Francamente, eu também. Alguns atletas com maior visibilidade, vão conseguindo material novo, uns mais que outros, conforme dêem mais garantias ao fabricante. Alguns vão conseguindo que empresas como a Babolat, a Wilson ou a Head, entre outras, consigam uns "wild cards" (convites) para torneios, porque os rankings não permitem o acesso directo.

Um meu amigo tem um filho, o Raul, que ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Matemática aos 13 anos, concorrendo com jovens talentos de todo o mundo. Na escola, em Sintra, o professor de Matemática dava-lhe nota 3. Lol . Neste momento, o Raul tem 16 anos, vai viajar dentro de dias para o Paraguai, representar Portugal nos Jogos Ibero-Americanos. Além de ser um génio da matemática, o Raul tem um carácter e personalidade de grande humildade perante os outros. Alguma empresa nacional acompanha estas situações? Não é preciso. Lá fora já apostaram nele. E apostaram forte.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Patrocínios e apoios - Parte II



No nosso país não existem patrocínios nem apoios para atletas, de forma regulamentada. Não existem estudos nesse sentido e existem somente opiniões baseadas no interesse pessoal de cada um. Como sempre. Em resumo, não existe nada. Para haver apoios não são necessárias verbas elevadas a nível financeiro, mas ideias, porque as poucas que se conhecem, partem sempre do pressuposto de que "não há dinheiro". Mas não é assim.


Principiando pelas ideias (representação mental do espírito sobre qualquer coisa), elas podem ser passadas a escrito de forma gratuita, como neste blogue por exemplo. Nas Universidades, nas disciplinas sobre Desporto, podem e devem ser exigidos aos alunos, nos seus trabalhos colectivos, nos textos e nas teses, a apresentação de ideias e soluções para este problema. Estes trabalhos devem ficar arquivados nas Universidades para consultas posteriores. Ou seja, milhares alunos de Desporto, milhares de trabalhos distintos com ideias novas, dispensando-se os tradicionais mapas de custos (o deve e o haver), que para isso existem os economistas. Dois problemas para resolver, o primeiro, o de quem vai cuidar do arquivo destes trabalhos e o segundo a possibilidade dos fazedores de ideias exigirem recompensa.


A forma de conciliar o treino e a competição com os estudos, é outro ponto importante a resolver. Há décadas que este problema existe. Alguns deixaram de estudar para poder treinar e competir, mas só é possível esta situação se a família for abastada. Trata-se pois de uma excepção. Depois, existem aqueles que conciliam as duas situações, ou seja tem estatuto de alta competição e podem ter vantagens horárias na conciliação entre competição e estudo. Nem todos conseguem resolver, por questões de carácter e personalidade este problema. Finalmente, existem o grosso da coluna, constituída por aqueles que estudam e jogam ou treinam como podem, ou o seu contrário. Em todos os casos, o jovem sabe no seu coração que opção tomar, mas tem medo. Medo de falhar. E então fica instalado no limbo do "ver se dá ou não dá."


Problema de fácil resolução. Mas como apela à união de todos fica difícil. Apela à criatividade e espírito de associação. Refiro-me à ideia de criar uma associação de pais e atletas dos mais variados desportos, que exijam a fácil remodelação da carga horária para os estudantes-atletas, com a criação de turmas especiais.


Existem as mais variadas profissões, entre os pais dos estudantes-atletas, advogados, médicos, juízes, enfermeiros, professores, etc que podem perfeitamente criar uma comissão que apresentará o seu documento de intenções ao Secretário de Estado do Desporto, com o apoio das respectivas Federações.


Mas será possível, neste país de rivalidades, criar uma associação deste tipo que defenda o interesse comum? Ou será melhor a solução do cada um por si?


Na III parte cuidaremos dos patrocínios e apoios financeiros.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Patrocínios e apoios - Parte I


Sei que não é o momento mais adequado para abordar este tema sobre os patrocínios e apoios. O país está mergulhado numa grave crise económica e social, com dois milhões de pobres, 600.000 ou mais desempregados, com uma dívida externa superior ao PIB e com números recorde nos incumprimentos de empresas e famílias. Mesmo assim, é possível pegar neste tema, que tem algumas vertentes quando se fala no âmbito desportivo. As minhas considerações irão pois, para os desportos ditos individuais, como o ténis, o atletismo ou o judo, entre outros.

Em primeiro lugar, o reduzido ou nulo relevo que a comunicação social dispensa aos resultados dos atletas de todos os escalões etários. Pouco relevo, para ser sincero é uma expressão apaziguadora e como não tenho entidade patronal, nem estou ao serviço de ninguém, substituirei o anterior vocábulo, pela palavra desprezo. Publicação de promoções e boatos nas primeiras páginas e as vitórias importantes condicionadas á forma minúscula e sem relevo. E porquê a Comunicação Social despreza a divulgação de resultados e proezas dos atletas portugueses?

Há uma série de factores que contribuem para este facto, desde logo a má e a notória qualidade dos jornalistas desportivos e outros escribas do desporto, vindos de uma geração complexada com pais do "antes" e filhos do "depois". A geração do entulho, como alguém referiu em conversa privada e que sem paninhos quentes, denuncio. Os exemplos no desporto são mais que muitos. São denunciados diariamente nos debates da TV, nos blogues e nas conversas privadas, evidentemente com expressão e tradução nas vendas da dita imprensa.

Eles fazem batota e da grossa. Porque cada vez que um visado pela critica abre a boca, eles confundem e atribuem intenções diferentes, num autêntico recurso censório, escrevem as chamadas "criticas para inglês ver", as suas palavras escritas dizem sempre exactamente a mesma coisa, e sendo maltratadas são completamente incapazes de falar connosco.

Depois, há o facto notório que são os jornalistas que estão no poder, usarem os seus "escravos" para o trabalho mais árduo, jovens que se licenciaram e aceitam a troco de algum dinheiro a recibos verdes, a humilhação de verter para o papel aquilo que os iluminados determinam. Os jovens têm que sobreviver, aceitam ser domesticados.

Evidentemente, lá mais para a frente, quando reescrever sobre estes sintomas, irei por nomes aos bois, melhor, aos papagaios. Sem medo.

Evidente agora, para todos, porque razões os jornais desportivos não noticiaram, atempadamente uns e nunca outros, a notícia que 3 jovens que foram campeões da Europa e vice-campeões mundiais de ténis. Treinaram brutalmente, estudaram e fizeram baterias de testes e exames, honraram Portugal no estrangeiro e são ignorados pela nossa imprensa, para não falar da TV e dos online, que só aceitam provocar a intriga e o boato, mas pouca informação, a pensar que o público não quer jornalismo quer entretenimento. E se calhar quer.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pai treinador - Parte II

Sempre gostei de desporto. Há quem se lembre, de ver o meu pai comigo ao colo, a subir as bancadas de madeira de um antigo campo de futebol, que havia ali para os lados do Campo Grande. Pratiquei várias modalidades desportivas e fui campeão nacional. Cumpriu-se a profecia do meu pai que disse - nunca vais ser nada. Conheci e fui treinado por Ricardo Ferraz, Mário Moniz Pereira, Mário Lemos e Júlio Cernadas Pereira (Juca), entre outros, conheci e privei com os maiores valores nacionais da minha geração. O serviço militar e África interromperam o meu percurso desportivo.
Como Pessoa e Agostinho da Silva sempre pensei que "podemos e devemos aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei que não vêm do acaso e não são do acaso. Tudo está em tudo e o meu passeio calado é uma conversa contínua, pois todos nós, homens, casas, pedras e céu, somos uma grande multidão amiga, acotovelando-se de palavras na procissão do destino."
Como militar, ensinei, combati e vivi. Estive na Revolução e fui exilado politico. Regressei e licenciei-me nos números da economia. Fui militar e civil. Reformei-me.
"O tempo livre quando não se enche com coisa nenhuma, torna-se absolutamente insuportável, destruindo o indivíduo por completo. É a razão porque morre tanto reformado já que, deixando de ter emprego, se não encontram novos objectivos na vida, a morte seguir-se-á rapidamente" disse o filósofo.
Assim, saí de casa um belo dia, deixando a depressão para trás , entrei no Carcavelos Ténis e fiquei na magnífica esplanada a ver o pessoal a jogar. Foi emocionante. No dia seguinte voltei. Comecei a ir a outros clubes ver treinos, torneios, mas principalmente novos jogadores. E entrei num chat de um blogue de ténis. Como queriam resultados comecei a ir mais, cada vez mais. Estou viciado. Confesso. Acho que sem retorno.
Observando tudo o que me rodeava, através de contínuas presenças em torneios, comecei a conhecer atletas, pais, treinadores e o mundo do ténis, que igual a um circo monta a tenda aqui, desmonta e volta a montar. As personagens variam pouco, todos se conhecem, falam uns dos outros, somos uma tribo de nómadas.
Cabe agora falar dos treinadores. Existem basicamente três tipos. Em primeiro lugar aqueles que foram antigos jogadores ou estiveram ligados ao ténis, durante muito tempo, e pretendem exercer o ensino do ténis como profissão, no futuro. Em segundo lugar, os licenciados nas Faculdades com cursos de Motricidade Humana ou Desporto e que após a conclusão do curso, pretendendo exercer uma profissão, vêm parar ao ténis. Em terceiro lugar, o pai treinador, ou seja aqueles que tem filhos ou filhas que jogam ténis, e que tem como princípio "quem melhor do que eu, conhece e sabe o melhor para o meu filho?". Eles vêem nos seus filhos, potencialidades enormes, relacionadas com algumas vitórias e bons rankings juvenis, sonham cumprir o destino.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Pai treinador - Parte I

Viajei muito nos últimos dez anos para acompanhar a minha filha (hoje, com 19 anos) em torneios de ténis juvenis nacionais e profissionais do ITF. Hoje a minha filha é estudante de Direito, e ainda treina, para continuar jogando a alto nível. Para nós os estudos são tão importantes quanto o desporto.
Conhecemos lugares maravilhosos e horríveis, pessoas geniais e mesquinhas, aprendi muito sobre o desporto e, o mais gratificante, fiz muitos excelentes amigos. E pude perceber, desde há muito tempo, que apenas poucos iluminados como Guga (o autor refere-se a Gustavo Kuerten, o maior tenista de sempre do Brasil), conseguirão alcançar o seu objectivo (veja uma revista de ténis nacional de há dez anos atrás e verão que praticamente todos os jogadores juvenis de qualquer faixa etária, rankeados entre os dez melhores do país, hoje não jogam mais).
Realmente, a estrada rumo à profissionalização, devido a vários factores que todos conhecem, é muito difícil de ser percorrida. É um projecto tão difícil, caro e complexo, que os pais nele envolvidos acabam por sofrer, de forma gradativa, verdadeira metamorfose de personalidade e de comportamento social, prejudicando em muitos casos, de forma séria, a sua condição patrimonial e profissional.
E como se processa essa metamorfose? Quando o miúdo de seis/sete/oito anos começa a jogar, nada é dispendioso, tudo é divertido. O pai aparece de vez enquando no treino, de fato e gravata, não dá muita atenção aos treinos, está mais ligado à sua empresa através do telemóvel do que nos treinos do filho; está ali mais por obrigação de pai. Mas um dia o nome do filho aparece num qualquer ranking. Acende-se uma luzinha na cabeça do pai indicando que o filho pode ser um grande jogador, pode ser um Guga, e ser assediado pelo fãs no futuro.
O pai, que antes comparecia no clube uma vez por semana, começa a ir duas, três vezes por semana. O fato e a gravata deixam de ser necessários nessas visitas. Posteriormente, quando o filho já figura no ranking regional ou nacional entre os dez melhores, o pai fala com o professor e diz que o filho necessita de mais aulas, em exclusividade e assim por diante. O pai começa a atender o telemóvel com má vontade e dá mais atenção aos amigos vinculados ao ténis.
Alguns anos mais tarde, quando o filho joga pequenos torneios, a metamorfose completa-se: o pai começa a esquecer as suas responsabilidades profissionais. O estudos do filho passam para segundo plano. O pai antes um profissional reconhecido em determinada área, agora é conhecido apenas pelo pai do atleta tal. O assunto em todos os espaços (dentro e fora do clube, telefone, internet, etc.) é só sobre ténis. O inseparável fato e gravata foi trocado por fato de treino e o pai começa também a dar as suas raquetadas. O interesse por outras coisas desaparece e é substituído pela pontuação em torneios, ranking de jogadores, perfomance de treinadores, calendários de torneios, etc.
As relações familiares esfriam, o dinheiro que era gasto em determinadas necessidades é agora direccionado para as despesas com deslocações. Se o dinheiro acabou, vai ao banco e pede emprestado. O que não pode deixar de realizar-se é aquela viagem para o torneio ou para o circuito, onde estão em disputa 100 pontos. E por aí. A cabeça do pai é como a de um jogador viciado. E os resultados são os mesmos. Frustrações e depressões.
Tudo isso porque o ténis é, repito, muito caro e complexo, é um desporto individual geralmente não patrocinado; não é para qualquer jogador. Há pais que mudam de profissão, mudam de cidade e de país, de amigo, tudo pelo ténis. A sua personalidade já não é aquela de quando o filho brincava no clube.
Extracto e adaptação de um texto escrito por um juiz e pai de uma tenista no blogue TENISBRASIL

Brisbane International 2010


Por todos os motivos uma final memorável, desde logo pelo hino ao bom ténis. Uma final assim pode figurar em qualquer compêndio, pela diversidade de golpes, pela inteligência, coragem e entrega ao jogo de ambas as jogadoras. E classe.

Kim Clijsters, a super-mãe, ganhou 6/4,4/6 e 7/6(6) a Justine Henin que regressava à competição após uma ausência de 20 meses. Duas belgas a jogo. As finais ganham-se, mas também podem ser bem jogadas. No final, Kim doou o cheque vencedor de $37,000 ao Royal Brisbane Children´s Hospital da Austrália.

Inperdível para quem gosta de ténis. Como entusiasta e seguidor do ténis juvenil português, gostava de tecer alguns comentários à margem das questões técnicas desta final, convidando todos os jovens tenistas a visionar, logo que possam, este inesquecível jogo, provavelmente o mais bem jogado que vi nos últimos 3 anos a nível feminino.

Assim, foi possível observar como Justine Henin com 1,67/57Kg e Kim Clijsters com 1,74/68Kg usando as suas condições naturais conseguem grande mobilidade em campo, pancadas muito fortes, precisão direccional, serviços determinantes e condição psicológica que permite recuperações espectaculares. Muito simples. Treino mental. Recordei as palavras de do professor Fernando Tocha, actual treinador do CIF, pessoa que estimo muito, que em conversa informal me dizia "sabe, o treinar muito, mais do que os outros, também é ter talento."

sábado, 9 de janeiro de 2010

Henry e a FIFA - Parte II


O árbitro sueco Martin Hansson que esteve no centro da polémica do jogo França vs Irlanda de apuramento para o Mundial 2010, confessou, que pensou regressar à vida de bombeiro a tempo inteiro. " Eu sou um homem honesto, só errei na profissão" - canção dos Xutos.

O lance, recorda-se, aconteceu no segundo jogo do "play-off" da zona europeia de acesso ao Mundial 2010, quando aos 13 minutos do prolongamento, Henry transportou a bola com a mão, endossando-a a Gallas, que marcou o golo do empate contribuindo para a classificação dos franceses.

A Comissão Disciplinar da FIFA analisará este lance no próximo dia 18, depois da instauração de um inquérito.

A CD da FIFA pode classificar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade.

Contudo, tenho algum receio do filósofo que diz " A verdade, a exactidão de todo o tipo é fatal à poesia."

Abel e Caím - Parte I


A acção passa-se na final do EURO 2000, disputado na Bélgica e Holanda.

" A derrota com a França foi traumática, por ter sido consumada a três minutos do fim do prolongamento, com um penálti cometido por Abel Xavier (desviou para canto 'sorrateiramente' a bola chutada por Wilford, de ângulo difícil, mas susceptível de resultar em golo), e que precipitou, num primeiro momento de choque, uma onda de indignação no país" foi como um tenor do jornalismo desportivo descreveu no jornal Record, a sua visão dos factos.

A foto assinala o exacto momento em que existe o encontro entre a bola e a mão. sem recorrer a meios tecnológicos, pode ser determinada a capacidade de reacção de Abel Xavier a uma bola pontapeada à velocidade X e que percorre o trajecto Y.

Mesmo Usain Bolt, quando estabeleceu quaisquer dos seus recordes mundiais, foi muito mais lento que Abel Xavier em capacidade de reacção.

O assistente eslovaco Igor Sramka, que deu a indicação ao árbitro austríaco Benko, possuía igualmente capacidade de reacção superior a Bolt.

O que leva uma pessoa a especular "sorrateiramente" assim, tão económico com a verdade?

Nota : "Tal decisão desencadeou reacções destemperadas de alguns jogadores portugueses, três dos quais, Abel Xavier, Paulo Bento e Nuno Gomes viriam a ser punidos com meses de suspensão."

Ao Abel, ao Paulo e ao Nuno, Homens de alma grande, habituados à injustiça e ingratidão das críticas, desejo longa vida.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Selecção de futebol do Togo metralhada


A notícia surge arrepiante. A selecção nacional de futebol do Togo, que se dirigia para Cabinda, uma das cidades angolanas onde domingo principia a fase final do CAN 2010 (Taça das Nações Africanas), foi metralhada por rebeldes. Motorista morto, 2 jogadores gravemente feridos, Kodjovi Obilale e Serge Alakpo, entre onze feridos no total.

A selecção nacional do Togo tem como principal referência a nível individual o conhecido jogador do Manchester City, Emmanuel Adebayor, consagrado e potente avançado de 25 anos.

O acidente verificou-se quando a viatura entrava em Angola vinda da República Democrática do Congo.

Este mundo está a tornar-se muito perigoso. Reparei também como uma notícia tão grave apareceu repentinamente e desapareceu do mesmo modo, em nome do politicamente correcto.

INTRODUÇÃO

Neste país em que todos espreitam pelos ombros uns dos outros, em que os homens gostam de colher aquilo que nunca semearam, no dizer de Alan Smith, são necessárias pessoas que combinem realismo e visão, em que haja "mudança de expectativas e de comportamentos, de linguagem e de valores".
Quando vi na televisão, criaturas em tempo extra em bicos de pés com um inútil e extenuante voluntarismo ou cronistas tipo Tico e Teco (só um neurónio e muitas avelãs), que nasceram e cresceram em incubadoras, tendo só arte para discutir pessoas e não ideias e princípios, pensava em que é que estas personagens tem cumprido o seu dever de informar, dia após dia, sem nada para nos dizer. São gente sem talento que perturbam para chamar a atenção.
Os portugueses tem dificuldade em se porem de acordo àcerca de qualquer ideia, a não ser que seja a sua própria ideia, escreveu alguém de quem não tenho o nome presente, porque apenas apontei a frase.
Criei este blogue para denunciar todas as situações que me parecem incorrectas e para ir dando algumas noticias que são esquecidas pelos jornais em papel e online, por não se venderem. Dizem eles.