Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei
Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi
Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi
Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi
Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei
Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair
Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz
Meu fado é vento que leva e conduz
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
sexta-feira, 28 de março de 2014
terça-feira, 18 de março de 2014
Os putos do poder. Carta do Grande Ruy de Carvalho
Tenho
86 anos, e modéstia à parte, sempre honrei o meu país pela forma como o
representei em todos os palcos, portugueses e estrangeiros, sem pedir
nada em troca senão respeito, consideração, abertura – sobretudo aos
novos talentos – e seriedade na forma como o Estado encara o meu papel
como cidadão e como artista.
Vivi a guerra de 38/45 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Vivi a guerra de 38/45 com o mesmo cinto com que todos os portugueses apertaram as ilhargas. Sofri a mordaça de um regime que durante 48 anos reprimiu tudo o que era cultura e liberdade de um povo para o qual sempre tive o maior orgulho em trabalhar. Sofri como todos, os condicionamentos da descolonização. Vivi o 25 de Abril com uma esperança renovada, e alegrei-me pela conquista do voto, como se isso fosse um epítome libertador.
Subi aos palcos centenas, senão milhares de vezes, da forma que melhor sei, porque para tal muito trabalhei.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor… e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas deste país – colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante. Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero… a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
Continuei a votar, a despeito das mentiras que os políticos utilizaram para me afastar do Teatro Nacional. Contudo, voltei a esse teatro pelo respeito que o meu público me merece, muito embora já coxo pelo desencanto das políticas culturais de todos os partidos, sem excepção, porque todos vós sois cúmplices da acrescida miséria com que se tem pintado o panorama cultural português.
Hoje, para o Fisco, deixei de ser Actor… e comigo, todos os meus colegas Actores e restantes Artistas deste país – colegas que muito prezo e gostava de poder defender.
Tudo isto ao fim de setenta anos de carreira! É fascinante. Francamente, não sei para que servem as comendas, as medalhas e as Ordens, que de vez em quando me penduram ao peito?
Tenho 86 anos, volto a dizer, para que ninguém esqueça o meu direito a não ser incomodado pela raiva miudinha de um Ministério das Finanças, que insiste em afirmar, perante o silêncio do Primeiro-Ministro e os olhos baixos do Presidente da República, de que eu não sou actor, que não tenho direito aos benefícios fiscais, que estão consagrados na lei, e que o meu trabalho não pode ser considerado como propriedade intelectual.
Tenho pena de ter chegado a esta idade para assistir angustiado à rapina com que o fisco está a executar o músculo da cultura portuguesa. Estamos a reduzir tudo a zero… a zeros, dando cobertura a uma gigantesca transferência dos rendimentos de quem nada tem para os que têm cada vez mais.
É
lamentável e vergonhoso que não haja um único político com honestidade
suficiente para se demarcar desta estúpida cumplicidade entre a
incompetência e a maldade de quem foi eleito com toda a boa vontade,
para conscientemente delapidar a esperança e o arbítrio de quem, afinal
de contas, já nem nas anedotas é o verdadeiro dono de Portugal: nós todos!
É infame que o Direito e a Jurisprudência Comunitárias sirvam só para
sustentar pontualmente as mentiras e os joguinhos de poder dos
responsáveis governamentais, cujo curriculum, até hoje, tem
manifestamente dado pouca relevância ao contexto da evolução
sociocultural do nosso povo. A cegueira dos senhores do poder afasta-me
do voto, da confiança política, e mais grave ainda, da vontade de
conviver com quem não me respeita e tem de mim a imagem de mais um
velho, de alguém que se pode abusiva e irresponsavelmente tirar direitos
e aumentar deveres.
É lamentável que a senhora Ministra das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com direitos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de "excel" ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
É lamentável que a senhora Ministra das Finanças, não saiba o que são Direitos Conexos, e não queiram entender que um actor é sempre autor das suas interpretações – com direitos conexos, e que um intérprete e/ou executante não rege a vida dos outros por normas de "excel" ou por ordens “superiores”, nem se esconde atrás de discursos catitas ou tiradas eleitoralistas para justificar o injustificável, institucionalizando o roubo, a falta de respeito como prática dos governos, de todos os governos, que, ao invés de procurarem a cumplicidade dos cidadãos, se servem da frieza tributária para fragilizar as esperanças e a honestidade de quem trabalha, de quem verdadeiramente trabalha.
Acima de tudo, Senhores Ministros, o que
mais me agride nem é o facto dos senhores prometerem resolver a coisa, e
nada fazer, porque isso já é característica dos governos: o anunciar
medidas e depois voltar atrás. Também não é o facto de pôr em dúvida a
minha honestidade intelectual, embora isso me magoe de sobremaneira. É
sobretudo o nojo pela forma como os seus serviços se dirigem aos
contribuintes, tratando-nos como criminosos, ou potenciais delinquentes,
sem olharem para trás, com uma arrogância autista que os leva a não
verem que há um tempo para tudo, particularmente para serem educados com
quem gera riqueza neste país, e naquilo que mais me toca em especial,
que já é tempo de serem respeitadores da importância dos artistas, e que
devem sê-lo sem medos e invejas desta nossa capacidade de combinar
verdade cénica com artifício, que é no fundo esse nosso dom de criar, de
ser co-autores, na forma, dos textos que representamos.
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito… porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
Permitam-me do alto dos meus 86 anos deixar-lhes um conselho: aproveitem e aprendam rapidamente, porque não tem muito tempo já. Aprendam que quando um povo se sacrifica pelo seu país, essa gente, é digna do maior respeito… porque quem não consegue respeitar, jamais será merecedor de respeito!
Ruy de Carvalho"
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Carta aberta de Ruy de Carvalho,
Os putos do poder
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
terça-feira, 5 de novembro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
Os putos do poder. Dia 5 de Outubro de 1143, Dia da Independência de Portugal
5
de Outubro de 1143 - data da independência de Portugal (O Tratado de
Zamora foi um diploma resultante da conferência de paz entre D. Afonso
Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão e Castela. Celebrado a 5 de
Outubro de 1143, esta é considerada como a data da independência de
Portugal e o início da dinastia afonsina. Este dia é feriado nacional
suspenso em Portugal ).
5 de Outubro é também o Dia mundial dos Professores.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Os putos do poder. Os minúsculos novos tiranos
Era
uma vez um navio com quase 900 anos que foi lançado ao mar com 800
pessoas a bordo, que fugiam de um país à beira mar plantado em que os
políticos desprezavam as pessoas. No mar, o comandante informou que o
navio só poderia transportar 600 passageiros e corria o risco de
afundar. Foi unânime que os primeiros 50 a lançar ao mar seriam os
velhos (pensionistas e reformados). Aos outros 150, discutiu-se quais os
critérios a aplicar.
Infelizmente, como fui lançado ao mar não conheço o final desta odisseia. Sabendo nadar, as correntes levaram-me para a praia.
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Os putos do poder
terça-feira, 20 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Os putos do poder. O culambismo
“Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma
modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da
revolução de Abril. Situa-se na área da
ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que
cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e
prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que
ele.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço».
Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores, os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc. ..
Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada.
O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas. Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu.
O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu.
Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu.
Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia.
Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço».
Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores, os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc. ..
Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada.
O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas. Ninguém gostava de um engraxador.
Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu.
O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu.
Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu.
Para fazer face à crescente popularidade
do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na
modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of
Ass-licking and Brown-nosing. Os praticantes portugueses puderam assim
esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no
desenvolvimento profissional do Culambismo.
(…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional.
O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.”
Miguel Esteves Cardoso, in “Último Volume”
(…) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional.
O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês.”
Miguel Esteves Cardoso, in “Último Volume”
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Os putos do poder
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Os putos do poder. Almoços grátis?
A atual maioria PSD /CDS prepara-se para reduzir em 10% os montantes de
todas as pensões do setor público. A medida, que estará inserida no tão
propalado corte de quatro mil milhões de euros nas despesas do Estado
(montante posteriormente reduzido para dois mil milhões), constitui um
ato brutal contra quem trabalhou e descontou durante o período da vida
ativa e que, chegado à velhice, acaba sendo alvo de um verdadeiro
assalto aos seus rendimentos. Não está só em causa o princípio
republicano da solidariedade, um dos valores matriciais de qualquer
República Democrática (cfr. Artigo 1.o da Constituição). O que esta
maioria se prepara para fazer constitui a negação dos mais elementares
princípios do direito. Com essa medida, o PSD e o CDS retiram a milhares
de idosos as condições de dignidade para o fim das suas vidas, pois com
esse corte muitos idosos terão de reduzir ou eliminar despesas pessoais
absolutamente essenciais à sua existência, tais como alimentação e
medicamentos. Mas, com tal medida, o PSD e o CDS violam também, de forma
acintosa, o contrato de cidadania que o Estado havia celebrado com os
seus servidores, mediante o qual estes teriam, no fim da sua carreira
contributiva, direito a uma pensão proporcional às respetivas
contribuições. O PSD e o CDS, chegados ao poder, não só violam todas as
promessas eleitorais que lhes permitiram precisamente alcançar o poder,
fazendo justamente aquilo que em campanha eleitoral garantiram que nunca
fariam, mas violam ainda as mais basilares regras jurídicas, já que,
com uma pusilanimidade estonteante, rasgam os contratos vitalícios que o
Estado havia celebrado. Tudo sem qualquer culpa dos prejudicados, com a
exceção, porventura, de terem permitido que pessoas sem palavra e sem
honradez política chegassem ao poder.
Mas, ao mesmo tempo que se preparam para cortar impiedosamente nas
pensões dos aposentados, incluindo daqueles que auferem apenas algumas
centenas de euros mensais, o PSD e o CDS propõem-se, com a mesma
insensibilidade, isentar desses cortes magistrados e diplomatas, muitos
dos quais auferem pensões superiores a cinco mil euros mensais. Trata-se
da consagração, na nossa República Democrática, de um privilégio de
casta que, numa sociedade decente, deveria envergonhar tanto quem o
concede como quem o recebe. Um privilégio que, no caso dos magistrados,
acrescerá a muitos outros verdadeiramente escandalosos, como subsídios
de habitação a quem vive em casa própria, isenções de impostos, etc.
Mas, como a cultura dos nossos magistrados é a de quem se julga acima
dos simples mortais, tudo o que sabe a privilégios é sempre bem-vindo
para eles.
Porém, como não há almoços grátis, a prebenda que o PSD e o CDS se
preparam para oferecer aos magistrados deve ter, obviamente, por detrás,
negociatas malcheirosas. Para além de poder constituir um aliciamento
por parte de quem não tem a consciência tranquila e procura favores ou
indulgências judiciais, ela não pode deixar de ser encarada como um
prémio pelo contributo que os magistrados deram para desgastar o Governo
anterior com processos vergonhosos, assim contribuindo também para
antecipar a chegada ao poder do PSD e do CDS. Mas, por outro lado, ela
surge não muito tempo depois de um dirigente do sindicato dos juízes ter
insinuado publicamente que se os juízes portugueses tivessem de
suportar os sacrifícios da crise como todos os outros cidadãos, eles
poderiam deixar de ser independentes e, provavelmente - pensámos todos
nós - corromper-se-iam e (pelo menos alguns) passariam a vender
sentenças.
É claro que agora não faltarão os habituais magistrados papagaios
tentando justificar essa ignomínia com os mais estúpidos argumentos
(lembram-se daquele em que, além das férias de Natal e da Páscoa, se
justificava a existência de dois meses de férias no verão para os
magistrados trabalharem?). Mas isso só demonstra a conta em que eles têm
os cidadãos desta República. Por mim, repito: nestas coisas (como em
muitas outras da vida), não há almoços grátis, só faltando apurar o que
os magistrados, sobretudo os juízes, darão em troca ao PSD e ao CDS,
além do que já deram no passado recente.
(escrito por A. Marinho Pinto no Jornal de Notícias)
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Os putos do poder
terça-feira, 23 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Os putos do poder - Militares e o passo trocado
Defesa extingue Fundo de Pensões dos Militares.
Forças
Armadas. Quem já está reformado continuará a receber. Quem entrar agora
para a carreira militar já não vai aderir nem descontar. Quem está no
ativo receberá o dinheiro que descontou até agora.(in Diário de Notícias)
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Os putos do poder
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Os putos do poder. Os ex-combatentes
Que país é este que abandona mais de 600 ex-combatentes que vivem na rua? Que personagens são estas que enchem os restaurantes de luxo da linha de Cascais e sustentam os putos do poder, porque a situação lhes é favorável? Quem é esta gente que nos desgoverna?
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Ex-combatentes,
Os putos do poder
terça-feira, 2 de julho de 2013
Os putos do poder. Mais um que já foi
Foi. Fez muito mal a Portugal. Um tipo pode licenciar-se em medicina com nota máxima e ser um perigoso cirurgião. Outro pode licenciar-se com nota média e ser um cirurgião excepcional. O mesmo se passa na Economia e Finanças e em todas as áreas da actividade humana.
Se uma velhota de 90 anos, desvia um creme de pouco mais de 1€ e é detida, julgada e condenada em tribunal de forma célere; se um anónimo diz ao PR num grito de indignação "vai trabalhar", foi detido, julgado e condenado no mesmo dia, porquê um tipo baixinho de voz irritante, faz e sai, e agora irá certamente para lugar de topo na UE? Para que servem os tribunais?
"Somos todos iguais, mas há uns mais iguais do que os outros". Deve ser isso.
"Somos todos iguais, mas há uns mais iguais do que os outros". Deve ser isso.
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Gaspar,
Os putos do poder
terça-feira, 25 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Os putos do poder. O valor do silêncio
Ministério convoca todos os professores para estarem nas escolas no dia de greve aos exames (17 de Junho).
Esta gente que contamina os pilares da sociedade portuguesa, os professores, os militares e a justiça. O valor do silêncio que não se vive.
O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. (Martin Luther King)
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