sexta-feira, 2 de julho de 2010

Terapias


Muitas pessoas e amigos me perguntam quando verdadeiramente comecei a interessar-me pelo ténis, visto que nunca fui jogador e poucas vezes peguei numa raquete. Há anos, estava com uma depressão que me consumia lentamente e prejudicava a minha vida e, por consequência a da minha família. Naquele dia, saí de casa e apanhei o comboio da linha de Cascais com destino a Lisboa. Resolvi sair do combóio e andar por ali, e passado um tempo comecei a ouvir o ploc, ploc, ploc do bater de uma bola de ténis. Entrei. Era o Carcavelos Ténis Clube. Uma esplanada magnífica dominava vários courts de ténis. Sentei-me, pedi uma água fresca e estive até ao anoitecer a observar os jovens a treinarem. Eram muitos, e batiam bolas com enorme prazer, ao mesmo tempo que ouviam os conselhos dos treinadores e monitores.

No dia seguinte lá estava eu. E no outro dia também. E todos os dias o mesmo. Comecei a assistir a torneios de juvenis. Lentamente, um a um comecei a conhecê-los quase todos. Tornou-se um vício. Comecei a andar de torneio em torneio, a apontar resultados e a pouco e pouco, todos falavam comigo e passei quase a conselheiro de muitos. Acabou a depressão. Tenho a mesma sensação que tem os pescadores, que passam horas na pesca esquecendo tudo e todos e desligando-se dos problemas e das aflições do dia a dia. Emagreci, deixei de fumar. A família começou a queixar-se que passava muito tempo fora de casa, quando antes dizia que nunca saía de casa. Muita coisa mudou desde então. Mas que passar uma tarde no ténis, é uma das melhores coisas que conheço, disso, não tenho dúvidas.

Brasil versus Portugal (0-0)


O Brasil perdeu 2-1 com a Holanda, faz as malas e vai para casa. Pode ter havido um erro de casting. O Brasil poderia ter jogado com a Espanha e Portugal com o Chile. E as coisas poderiam ter sido diferentes. Quem sabe? O seleccionador Dunga confirma o abandono da selecção.

Acreditámos sempre, disse o holandês Sneijer. Podemos estar bem ou mal, mas devemos morrer em campo, disse Forlán. O futebol é uma coisa muito simples quando os jogadores se entregam ao jogo com alma. Selecção que não tenha alma, não tem futuro. Já se sabe que cada cabeça, sua sentença. Já se sabe que alguém tem que cometer erros, para outros serem mais perfeitos. Já se sabe tudo isso e muitas coisas mais. Mas porquê alguns que fracassaram pedem desculpa e saem e outros não? E agora, como no início na divulgação dos 23, este tipos têm futuro? Até acho que devem ter. Mas vão chatear outros.

Alma portuguesa


A imagem representa a portuguesa Ticha Penicheiro (LA Sparks) numa disputa de bola com Beckey Hammon (San Antonio Silver Stars). A alma portuguesa está nos quatro cantos do mundo, representada de diversas formas. Num simples emigrante, numa criança, num velho de grande sabedoria ou nas mãos de uma portuguesa. A minha simples homenagem.

Lapidar 22

Nunca pagaria para ver um jogo do Brasil. (Johan Cruyff)

Cruyff nunca paga nos estádios. (Dunga)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Uma perguntinha


E se os patrocinadores da selecção retirarem o seu importante apoio financeiro à Federação Portuguesa de Futebol, o que acontecerá aos dirigentes e a toda a equipa técnica ?

O rescaldo

Ontem na TV, um pescador da Fuzeta, Algarve, referia que após vários dias no mar, pescaram 300 kg de pescada e quando chegaram a terra, conseguiram vendê-la a 80 cêntimos o kilo. Ganharam 240 euros a dividir por cinco, mas não contando o gasóleo e outras despesas adicionais. E foi um bom dia de pesca. Claro, no mercado, o preço da pescada variava entre os 4 e 6 euros por kilo. Não quero ser populista e muito menos moralista, mas um jogador de selecção ganha muito mais do que isso por segundo, mesmo quando está a dormir.
Quando tinha 21 anos com um grupo de homens, em que muitos não ultrapassavam os 17 (nos fuzileiros, os voluntários alistavam-se aos 16), mas outros ultrapassavam os 30, partimos para África para combater. O espírito de unidade e respeito, após mais de 40 anos, mantêm-se. Aos dirigentes e equipa técnica de uma selecção nacional, exige-se que defendam os seus atletas em todas as circunstâncias, na dor e derrota, ou no sucesso e vitória. O pessoal tem sempre razão e como todos verificámos consegue-se resultados excepcionais quando o espírito de grupo prevalece. Os jogadores respeitam os chefes quando estes merecem ser respeitados. Os mesmo homens, com outro tipo de liderança tem resultados e comportamentos completamente diferentes.
Finalmente, para os que manipulam as emoções e sentimentos da opinião pública, dedico a frase abaixo transcrita.
Alguns órgãos de comunicação social, transformaram-se em pelourinhos onde as pessoas são chacinadas. (António Marinho Pinto, bastonário da Ordem de Advogados em entrevista a MST)

Lapidar 21

Vamos conquistar dois ou três adeptos que não estão contentes. (Carlos Queiroz)