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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Eu vi hoje jogar Thomaz Bellucci pela primeira vez ao vivo


Hoje no chamado Centralito do Jamor (foto acima), no Estoril Open, eu vi pela primeira vez ao vivo o brasileiro Thomaz Bellucci. Em 3 horas, Bellucci conseguiu vencer o qualifier francês Edouard Roger-Vasselin por 6/3, 5/7 e 7/5. Salvou 2 match-points no 10º jogo do 3º set e necessitou de 3 para ganhar.
Vi o Bellucci senhor do court, vi o Bellucci perdido à beira do desespero e depressão e vi o Bellucci reagir contra a adversidade a bater com a mão direita no peito por 3 vezes. A meu lado estava uma brasileira que percebia pouco mas sofria muito.

Haveria muito que escrever sobre este jogo. As atitudes e tipo de jogo do brasileiro dividem o público. Para mim, que gosto de jogadores normais, não gosto de robots, achei que o Bellucci é fantástico. Falhas incríveis e esquerdas paralelas como nunca vi. Tem muitas coisas a corrigir este brasileiro se quiser entrar com regularidade no top 10. Mas a principal, a mais importante de todas é compreender rapidamente que tipo de adversário tem pela frente e não aprender isso ao longo do jogo. Porque assim é muito penoso. Demora mais tempo para ganhar. E às vezes não sobra já tempo.

domingo, 6 de junho de 2010

Roland Garros


O court central de Roland Garros - Philippe Chatrier - tem uma lotação máxima de 15.166 espectadores (click na foto). Ontem, na final feminina que opôs a italiana Francesca Schiavone à australiana Samantha Stosur estava lotado. Provavelmente se a capacidade de albergar mais pessoas fosse maior, estaria também cheio. Comparando com o Estoril Open, estamos a falar de realidades diferentes. Pessoas que gostam de ténis ao ponto de percorrerem longas distâncias para verem um jogo. As diferenças entre os dois tipos de pessoas são várias, desde logo os franceses pagam para ver ténis, entendem de ténis e são cultos e educados. Em Portugal, o maior número possível de pessoas à borla, como ninguém vê ténis durante o ano, também não percebem de ténis, e de cultura e educação, só dá para ver em redor. Acrescentem a estas características a clubite, a cegueira ao ponto de chegarem a aplaudir uma estrangeira para prejudicar uma portuguesa. Eu vi. Fui ao Estoril Open, mas fiz questão em pagar o meu bilhete.
No decorrer de um dos melhores torneios disputados em Portugal que terminou ontem, se excluírem os jogadores, familiares, treinadores e árbitros, o que resta? Quase nada. Ah! Porque gosto de dizer a verdade, esteve lá todos os dias um jornalista do Record e a ver ténis. Da velha guarda.

sábado, 8 de maio de 2010

Obrigado Frederico Gil !


No dia 19 de Janeiro escrevi num post : Frederico Gil, o maior tenista português de todos os tempos perdeu hoje no Australia Open. Mas perdeu só um jogo. Não perdeu a cabeça. A notícia foi dada mais rapidamente, do que o costume, na comunicação social, e alguns adeptos aproveitaram logo para fazer profecias. É perigoso fazer profecias, principalmente quando se referem ao futuro. Numa pessoa, o presente já não tem futuro, quando se está amputada do passado.
Frederico Gil, jogando no histórico Centralito do Jamor, assinou uma página de ouro do ténis português ao chegar à final do Estoril Open. O desporto português e o ténis em particular devem muito a Gil. Hoje, muitos vão escrever sobre Frederico Gil. Ainda bem. Por mim, agradeço muito a Gil, a Cunha e Silva e a toda a equipa técnica. Antes de mais pela alegria que me proporcionaram e jamais esquecerei.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Maria João Koehler


Sinto que cumpri os objectivos. Os match-points que perdi não foram por erros meus, mas sim por mérito da adversária. Não tive sorte. Deixei tudo dentro de campo, disse Maria João Koehler, após o jogo que a opôs à holandesa Arantxa Rus e que cedeu por 6/3, 3/6 e 7/5.

Foram duas horas e nove minutos a bater contra uma parede holandesa que só passava a bola e esperava pelos erros da Maria. A MJK teve no 3º set o 5-2 a favor e teve 5 match-points que não conseguiu concretizar. O desgosto mora no meu coração. Estive desde as 10 da manhã à espera deste jogo que terminou às 16 horas. Andei por ali. Pedi um cigarro emprestado. Quando acabou, confesso, tive para dar uma pêra num tipo que apoiava os pontos da Rus. Pouco desportivismo, eu sei. Mas se conhecessem o tipo concordavam comigo. Depois fui comer uma sandes com um amigo e saí. Mas tenho uma certeza muito grande. A Maria vai continuar a evoluir e vai chegar longe, longe. A holandesa vai passar mais uns tempos a devolver bolas.

domingo, 2 de maio de 2010

Estoril Open - 1º dia


Estava interessado em ver João Fernandes, porque se falava muito dele e não o conhecia. Jogou contra o polaco Michael Przysiesny de 26 anos e actual Nº 99, e o português cedeu 6/1 e 6/0 num encontro sem história. Satisfeita a curiosidade, fui ver um jogo muito mais interessante, ou seja saber como se comportava o jovem de 16 anos João Domingues ( que acompanho há 3 anos) frente ao algarvio José-Ricardo Nunes. Ganhou Nunes em 3 sets mas não apresentou nada de novo. Mas, João Domingues perfila-se como um talento de futuro.

Depois, não havia dúvidas, vinha o jogo que desejava muito ver. O espanhol Pablo Andujar de 24 anos e Nº 149 do ranking mundial face ao português Francisco Franco Dias que completava 18 anos, ontem. Muito difícil comentar este jogo. Como explicar que um tipo que levou duplo 6/0, jogou bem? Quando saí dei uma vista de olhos à espanhola Laura Pous que jogava com a Beatriz Santos. A Bea esforçava-se imenso para contrariar o jogo da espanhola mas não conseguia. E fui almoçar, num restaurante Tasca do Open que servia um buffet ao preço de 25€ sem bebidas. No seguimento do post anterior, darei nota 11.

Estava muito calor. Fui até ao Court 3, vi o final de uma maratona entre duas passa-bolas, uma colombiana Duque Marino e uma japonesa K Nara que durou uma eternidade com longos rallyes e depois fiquei para ver a austríaca Groth frente à nossa Margarida Moura de 16 anos. Acredito muito nesta menina no futuro, mas tem que melhorar o serviço e muito, mas de facto é difícil atenuar uma desvantagem de sete anos de ténis de diferença de idade e jogo. Procurei uma sombra e fui ao Centralito, porque é o lugar mas fresco do Estoril Open. À porta estava a Catarina Ferreira que abandonou a modalidade este ano. Achei giro porque tinha o bilhete de entrada na mão. Pensei para mim. Classe, podia ter tido convite ou passe, mas comprou o bilhete. Já sabemos A Catarina é um caso à parte em tudo. No Centralito estava um jogo insosso, mas dava para refrescar.

Voltei ao Court 3 para ver a Sofia Araújo de 15 anos jogar contra a outra portuguesa de Coimbra, a Maria Palhoto de 16. Já não via qualquer das duas há umas semanas, mas deu para observar os progressos de ambas, mais da Sofia que se melhorar alguns aspectos vai dar que falar no futuro. Voltei ao Centralito para ver o João Sousa a jogar contra o espanhol Agustin Boje-Ordonez de 21 anos e Nº 385 do ranking ATP. Tinha curiosidade de ver o espanhol porque quando vejo os resultados dos ITF à segunda, lá está ele sempre finalista ou semi finalista. E o João porque não o via há muito tempo ao vivo. Quando saí o João ganhava por 5/2 com facilidade. Quando cheguei a casa o João tinha cedido 7/5 e 6/1. O ténis decididamente não é uma ciência certa. Ainda bem. Vão notar que não faço muitos comentários sobre os pormenores técnicos dos nossos. Eles sabem muito bem como explorar as suas qualidades, e isto, como sempre digo, não é pontapé na bola.

Estoril Open


Como sempre, ontem fui ao 1º dia do Estoril Open. A entrada é péssima. Para um tipo que não tenha carro é um tormento. Aquilo foi pensado para um certo e determinado tipo de pessoas. Na escala de 1 a 20, dou nota 4. O ténis é um dos espectáculos em que poucos pagam bilhete. Sempre foi assim e será. Em Itália os borlistas são conhecidos por portoghese. Dirigi-me à bilheteira e comprei o meu bilhete de 15€. Não havia ninguém e eram 10 horas da manhã. Para a recepção, dou nota 18.

Ir à qualificação deve fazer parte de um amante do bom ténis. Porque jogar uma ronda do Estoril Open é sempre uma marca importante para a vida de um atleta. mesmo que seja arrasado pelo adversário. Claro, sabe sempre melhor se não temos o convite, wild card, simplesmente o mérito de ser recompensado é mais saboroso. Por falar em convites e cartões, aquilo é uma vergonha. No autocarro, um antigo aluno meu que nunca tinha visto ténis tinha um convite. Havia crianças e adolescentes dos 14 aos 17 com a cara cheia de borbulhas e com o cartão de press ou imprensa ao peito. Já não chegava os jornalistas do futebol virem ao ténis dizer enormidades de arrepiar os cabelos ( o meu não, porque já não tenho muito), e andarem uns putos armados em repórteres. Uma pena. Enfim, para os convites e passes livres, dou nota 8.

Quanto à organização propriamente dita, ou seja pessoal de boné vermelho. Muito do sucesso do Estoril Open passa por esta macro-estrutura que lida com as pessoas, ou está nos courts a arbitrar ou a servir de juízes de linha ou mesmo ainda a "passar" o campo no intervalo dos sets e depois do jogo. Muito bem. Nota 19. Para as meninas bonitas dos stands, ou dos chapéus de sol para os jogadores, também uma palavras porque ninguém liga a isso. Bem. Nota 15. Quanto à qualidade do público, falando é verdade só dos que pagam bilhete, só desses. Os outros são folclore. Só para complicar. Falo dos que trazem os filhos e crianças e pagam bilhete, falo dos velhos que pagam bilhete. Falo de todos, mas que paguem bilhete. Nota 19.

No próximo post falarei dos jogos que vi. Sim, mas só dos que vi.